E MAIS “BERLUSCONADAS”!!
Esta semana, afora a leitura dos jornais portugueses, dediquei a maior parte do tempo a ler publicações em língua italiana. Resultado? Veio um técnico controlar algo aqui no prédio, falou comigo e eu respondi-lhe, serena e inconscientemente,
Esta semana, afora a leitura dos jornais portugueses, dediquei a maior parte do tempo a ler publicações em língua italiana. Resultado? Veio um técnico controlar algo aqui no prédio, falou comigo e eu respondi-lhe, serena e inconscientemente,
naquela língua. O senhor olhava-me perplexo!
- Sra. D. Alda, não a compreendo!
Ainda bem que o homem tinha um forte sentido do humor: desatámos os dois à gargalhada!
Durante a semana, apercebi-me também de certas frases em português cuja construção - de regência ou sintáctica – soou-me um pouco italianada.
E pensar eu que tanto me esforcei para aprender um bom italiano sem jamais sacrificar a minha língua mãe!
Mas creio que a não sacrifiquei e há uma vitória da qual me sinto ufana: no meu português não entraram sotaques. Porta blindada, nesse sentido.
Sucedeu apenas que tive uma semana mais virada para Itália e com pouca conversa em português.
Divertem-me as apreciações de uma minha jovem amiga – uma das sete ou oito pessoas que lêem este blogue – que perde o interesse, quando escrevo sobre a política italiana. Não quer saber do que se passa naquele país.
Não sabes o que perdes, Maria Teresa. Aprenderias, pelo menos, a discernir o que é o verdadeiro populismo.
Pensando nos dois Países a que me sinto profundamente ligada, por vezes surpreendo-me a estabelecer paralelos ou aventar hipóteses.
Suponhamos que, em Portugal, saltava para a arena política uma personagem semelhante a Berlusconi e com os potentes meios que este possui: económicos e mediáticos.
Suponhamos que a maior parte da nossa população colheria informações apenas através da TV.
- Sra. D. Alda, não a compreendo!
Ainda bem que o homem tinha um forte sentido do humor: desatámos os dois à gargalhada!
Durante a semana, apercebi-me também de certas frases em português cuja construção - de regência ou sintáctica – soou-me um pouco italianada.
E pensar eu que tanto me esforcei para aprender um bom italiano sem jamais sacrificar a minha língua mãe!
Mas creio que a não sacrifiquei e há uma vitória da qual me sinto ufana: no meu português não entraram sotaques. Porta blindada, nesse sentido.
Sucedeu apenas que tive uma semana mais virada para Itália e com pouca conversa em português.
Divertem-me as apreciações de uma minha jovem amiga – uma das sete ou oito pessoas que lêem este blogue – que perde o interesse, quando escrevo sobre a política italiana. Não quer saber do que se passa naquele país.
Não sabes o que perdes, Maria Teresa. Aprenderias, pelo menos, a discernir o que é o verdadeiro populismo.
Pensando nos dois Países a que me sinto profundamente ligada, por vezes surpreendo-me a estabelecer paralelos ou aventar hipóteses.
Suponhamos que, em Portugal, saltava para a arena política uma personagem semelhante a Berlusconi e com os potentes meios que este possui: económicos e mediáticos.
Suponhamos que a maior parte da nossa população colheria informações apenas através da TV.
Neste caso, não devemos supor nada: portugueses e italianos assemelham-se. Não seria difícil embebedar essa população com promessas mirabolantes.
E quanto à imprensa, também não creio que devamos espremer muito as meninges: não seria impossível ver a nossa imprensa justificar, atenuar, ignorar atitudes menos correctas.
Certamente que, ante o poder de um tal personagem e observando os nossos jornais de maior difusão – idem as TV’s - podemos deduzir, tranquilamente, que seria difícil verificar-se uma linchagem diária de um primeiro-ministro.
Aliás, essa linchagem política e moral seria inimaginável numa imprensa séria e responsável, quando uma Justiça, também séria, está efectuando o seu dever.
Mas vamos às performances circenses de Sílvio Berlusconi.
As imagens e o vídeo de uma rainha que se assusta com os berros de Berlusconi – Mr. Obama, Mr. Obaaamaaa! - correram mundo, provocando comentários impiedosos.
What is it? Why does he have to shout? (Que é isto? Por que deve berrar?)
Valha-nos Deus, Majestade! Ainda não sabe que o homem faz birras se não lhe concedem importância, a ele e unicamente a ele, grande condottiero?
Único expoente do G8 que não pôde encontrar Obama, incapaz de adquirir credibilidade entre os seus pares, adoptou a técnica da ruptura do protocolo, a fim de vender qualquer retalho de visibilidade na frente interna que é a única que lhe interessa - Andrea Bonanni (La Repubblica)
Parece, todavia, que Buckingham Palace, acima de tudo, considera o País Itália e fez saber que a Rainha não se ofendeu com os modos de quem o representava. Tratava-se de um ambiente de cordialidade e alegria.
Segunda gafe. Em conferência de imprensa, aludindo ao que se passou na cimeira G20, Berlusconi comentou, querendo ter graça: Nós (chefes de governo e presidentes) trabalhávamos; entretanto, os ministros estavam no “cesso”.
Para traduzir o termo cesso, podemos adoptar três versões. Tradução fiel: latrina; tradução popular: retrete (também há o nome «sacreta»); tradução elegante: toilette ou casa de banho.
Dado o modo "refinado" como sempre se comporta, escolhamos a segunda tradução!...
Ontem: vértice Nato, ponte sobre o Reno que une a França à Alemanha, cerimónia comemorativa dos mortos Nato.
Berlusconi chegou ao ponto de encontro com o ouvido colado ao telemóvel.
E quanto à imprensa, também não creio que devamos espremer muito as meninges: não seria impossível ver a nossa imprensa justificar, atenuar, ignorar atitudes menos correctas.
Certamente que, ante o poder de um tal personagem e observando os nossos jornais de maior difusão – idem as TV’s - podemos deduzir, tranquilamente, que seria difícil verificar-se uma linchagem diária de um primeiro-ministro.
Aliás, essa linchagem política e moral seria inimaginável numa imprensa séria e responsável, quando uma Justiça, também séria, está efectuando o seu dever.
Mas vamos às performances circenses de Sílvio Berlusconi.
As imagens e o vídeo de uma rainha que se assusta com os berros de Berlusconi – Mr. Obama, Mr. Obaaamaaa! - correram mundo, provocando comentários impiedosos.
What is it? Why does he have to shout? (Que é isto? Por que deve berrar?)
Valha-nos Deus, Majestade! Ainda não sabe que o homem faz birras se não lhe concedem importância, a ele e unicamente a ele, grande condottiero?
Único expoente do G8 que não pôde encontrar Obama, incapaz de adquirir credibilidade entre os seus pares, adoptou a técnica da ruptura do protocolo, a fim de vender qualquer retalho de visibilidade na frente interna que é a única que lhe interessa - Andrea Bonanni (La Repubblica)
Parece, todavia, que Buckingham Palace, acima de tudo, considera o País Itália e fez saber que a Rainha não se ofendeu com os modos de quem o representava. Tratava-se de um ambiente de cordialidade e alegria.
Segunda gafe. Em conferência de imprensa, aludindo ao que se passou na cimeira G20, Berlusconi comentou, querendo ter graça: Nós (chefes de governo e presidentes) trabalhávamos; entretanto, os ministros estavam no “cesso”.
Para traduzir o termo cesso, podemos adoptar três versões. Tradução fiel: latrina; tradução popular: retrete (também há o nome «sacreta»); tradução elegante: toilette ou casa de banho.
Dado o modo "refinado" como sempre se comporta, escolhamos a segunda tradução!...
Ontem: vértice Nato, ponte sobre o Reno que une a França à Alemanha, cerimónia comemorativa dos mortos Nato.
Berlusconi chegou ao ponto de encontro com o ouvido colado ao telemóvel.
As imagens demonstram uma cena cómica e, paralelamente, um comportamento de uma grosseria sem limites.
Ângela Merkel perplexa à espera do ilustre hóspede e este acenando-lhe que estava ocupado. Como mais tarde explicou, falava com o primeiro-ministro turco, a fim de o convencer a aceitar a nomeação de Rasmussen - telefonema de 30 minutos.
A senhora Merkel virou costas e a cerimónia continuou sem o representante italiano.
Primeira pergunta: era urgente e necessário telefonar, precisamente naquela altura?
Num jornal li uma pergunta que me divertiu: em que língua falava com Erdogan? O turco não sabe italiano; ele não conhece a língua turca; o seu inglês é um desastre… Obama, mais tarde, resolveu a situação e Rasmussen foi nomeado secretário-geral da Nato.
O homem, agora, está furibundo com a informação e ameaça medidas drásticas contra os jornais do seu País que o criticaram severamente. Como se atrevem a não valorizar o que faz pela Itália?!
Delírio de omnipotência!
Ângela Merkel perplexa à espera do ilustre hóspede e este acenando-lhe que estava ocupado. Como mais tarde explicou, falava com o primeiro-ministro turco, a fim de o convencer a aceitar a nomeação de Rasmussen - telefonema de 30 minutos.
A senhora Merkel virou costas e a cerimónia continuou sem o representante italiano.
Primeira pergunta: era urgente e necessário telefonar, precisamente naquela altura?
Num jornal li uma pergunta que me divertiu: em que língua falava com Erdogan? O turco não sabe italiano; ele não conhece a língua turca; o seu inglês é um desastre… Obama, mais tarde, resolveu a situação e Rasmussen foi nomeado secretário-geral da Nato.
O homem, agora, está furibundo com a informação e ameaça medidas drásticas contra os jornais do seu País que o criticaram severamente. Como se atrevem a não valorizar o que faz pela Itália?!
Delírio de omnipotência!
Alda M. Maia
